Pular para o conteúdo principal

Rótulos: Para quê?



Quem é você? "Eu sou um pouco de muita coisa", é o que costumo dizer. De cá e de lá, colho em cada canto, uma mudinha e planto em mim. São áreas diferentes? Não importa! Vou lá, colho e planto mesmo assim. 

As pessoas gostam de rotular. E, de preferência, rótulos fáceis de fazer. As vezes, me preocupo se meu rótulo não estaria complexo demais para as pessoas comuns. Afinal, sou Acupunturista? Internacionalista? Biomédica? Escritora? Mãe? Esposa? Depressiva? Introspectiva? Hipocondríaca?

Um rótulo só parece não bastar e por vezes me pego mostrando uma parte de mim para cada pessoa diferente. Se todas se juntarem, ainda nem daria a completa Giselle. Essa aí, só quem conhece sou eu - e olhe lá. 

Para os rótulos, eu sou muitas. Para mim, eu sou apenas eu.

Chego a conclusão que todos somos assim: um pouquinho de muitos. Alguns ainda não sabem disto, outros sabem e usam este saber para se promover. Outros ficam perdidos iguais a mim, sem um rumo certo, sem saber quem se mostrar para as pessoas. São muitos ângulos para escolher e, estes, podem confundir.

E, se pararmos para pensar que somos um pouquinho de muitos, não há como haver rótulos. Rótulos se tornam inviáveis pois não explicam a totalidade de um único ser humano. Rótulos são simplórios demais para a complexidade humana. 

Rótulos nos limitam.

É instinto humano. Somos julgadores e rotulamos. Não há quem não faça isso, mesmo que em apenas sua própria cabeça. Se formos rotular, que seja para o bem. Podemos usar para dizer: "Fulaninho é simpático!". Acredite, Fulaninho irá incorporar este rótulo e será simpático com todos a partir de agora. O mesmo ocorre quando rotulamos negativamente: "Ao contrário de Fulaninho, Sicraninho é péssimo em matemática porque reprovou este ano.". Sicraninho, cabisbaixo, aceita a crítica. Afinal, como não aceitar? Ele reprovou em matemática! E, não, não importa os anos anteriores que ele foi o primeiro da turma. Não, nada disso importa! Não importa se algo aconteceu e atrapalhou os estudos dele. Resiliência em primeiro lugar! E, assim, Sicraninho seguiu "péssimo em matemática" pelo resto da vida.

Cruel, não?

Não sejamos mais cruéis. Rótulos servem para simplificar um pensamento. Nunca é sua totalidade. Um momento não nos define. É o conjunto que nos diz quem podemos ser. 

E que nunca mais esqueçamos isto.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vontades e o famoso timing

 É comum e todo mundo fala: todo dia uma nova chance se restaura, todo ano 365 oportunidades estão a frente de nós para fazer nossa vida mudar para melhor. A questão é: a gente realmente quer isto?  Sempre quando me vi em situações conflitantes, - onde não podia fazer tal coisa que melhoraria minha vida drasticamente para melhor - tive a maior das forças para mudar. Tracei metas, caminhos, ponderações, estratégias etc. No momento em que tive a oportunidade de fazer, subitamente todo o planejado havia sumido. Por algum motivo qualquer, deu o famoso branco na hora da prova.  Imaginar é muito mais fácil que fazer. No imaginário não tem mudanças climáticas, não tem pandemia, não tem preguiça, nem variações de humor repentinas, não tem acontecimentos chatos na família, não tem briga com namorado, não tem falta de dinheiro e nem o principal: a falta de vontade.  É fácil julgar sem ponderar: estarei todos os 365 dias do ano da mesma forma? Certamente não. Terei dias de alto...

Texto para pessoas seguras

Se uma pessoa é rude, consideramos que ela seja mal educada, injusta e tantos outros adjetivos e se a consideramos normal, sã ou alguém importante para nós: Nos importamos muito com o que foi dito e consideramos que algo deve ser feito para compensar o mal causado. Não se pode sair impune. Mas se ela é igualmente rude e esta pessoa for nominalmente "anormal", ou possui padrões de comportamento estranhos e ela é alguém sem importância pra você, tais comportamentos são considerados de baixa importância e consequentemente inútil.